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Porque existe o ovo da Páscoa?

A Páscoa é uma das festas mais importantes para os cristãos. Ela representa a passagem da morte para a vida, através da ressurreição de Jesus Cristo, que terá morrido numa sexta-feira e ressuscitado no domingo seguinte.

E como qualquer festividade tem alguns símbolos associados que neste caso são o ovo da Páscoa e o coelhinho.

Mas de onde vêm estes símbolos?

A troca de ovos da Páscoa é uma tradição milenar associada ao Cristianismo, mas ela é muito mais remota e tem origem pagã. Antes do nascimento de Jesus, já era frequente trocarem-se ovos para celebrar a chegada da Primavera, o renascer da natureza e as colheitas em abundância. Estas celebrações estão ligadas a Eostre, a deusa da fertilidade, do amor e do renascimento.

Segundo a lenda, Eostre tinha especial carinho pelas crianças e segui-as para todo o lado, encantando-as com as suas magias. Um dia, encontrou um pássaro ferido na neve e para o ajudar transformou-o numa lebre, que era o seu animal preferido. Mas a transformação não se deu por completo e a lebre ficou com a habilidade de colocar ovos. Como agradecimento por ter salvado a sua vida, a lebre decorou os seus ovos e levou-os como presente à deusa. Eostre ficou maravilhada com a criatividade do presente e quis partilhar a sua alegria com todas as crianças do mundo. Criou-se assim a tradição de oferecer ovos decorados na Páscoa.

Segundo os historiadores, a igreja Católica acabou por substituir as celebrações pagãs da chegada da Primavera pela Páscoa, absorvendo muitos dos seus costumes, como os ovos pintados e o coelho.

Os ovos e o coelho (que inicialmente era uma lebre) eram os símbolos pagãos da fertilidade e renascimento nas celebrações do início da Primavera, altura em que se esperava muita prosperidade da terra. Esta associação do ovo à fertilidade e ao ciclo e renovação da vida fez com que, ao longo da história da humanidade, diversos povos, em determinadas ocasiões presenteassem outros com ovos de galinha.

Por exemplo, os persas, durante o equinócio da primavera, realizavam uma celebração conhecida como Noruz. Era uma celebração do ano novo para os persas, em que os ovos coloridos eram colocados sobre a mesa de jantar, para depois serem cozinhados e consumidos.

Na Páscoa, o ovo passou a ser o símbolo do renascimento de Cristo. Foi então que se começaram a pintar ovos de galinha com cores garridas para festejar. Oferecer ovos decorados, a amigos e familiares, marcava também o fim das restrições da Quaresma, período de penitência em que era proibido o consumo de carnes e de ovos.

Mas cada país desenvolveu a sua tradição à volta dos ovos. Nos países da Europa de leste, como a Rússia, os ovos são pintados de vermelho, simbolizando o sangue de Cristo. Já na Alemanha os ovos são pintados de verde, razão pela qual se chama à Quinta-feira Santa “Quinta-feira verde”.

As grandes alterações nos ovos começam a surgir por influência dos reis europeus. Por exemplo, o rei Eduardo I, de Inglaterra, tinha por hábito, na Páscoa, oferecer aos seus súbditos ovos banhados a ouro ou decorados com pedras preciosas. Outro exemplo é o presente que o czar Alexandre III da Rússia ofereceu à sua esposa em 1885. O czar encomendou a Peter –Carl Fabergé, o famoso joalheiro, uma joia em formato de ovo de galinha, que deveria ser adornada com pedras preciosas. Ao abrir este ovo encontrava-se uma gema de ouro, que escondia no seu interior uma pequena ave montada num ninho de diamantes.

E como passámos dos ovos pintados aos ovos de chocolate?

A introdução do chocolate na Páscoa só foi possível porque a Igreja considerava que não se quebrava o jejum pascal ao consumir chocolate. Nesta altura o chocolate era consumido como bebida, misturando cacau com água.

Terão sido os confeiteiros franceses, no séc. XIX, os responsáveis pelos primeiros ovos de Páscoa feitos de chocolate, que substituíam os tradicionais ovos de galinha, pintados à mão. Esses ovos seriam maciços, amargos, com textura granulosa e moldados usando ovos de galinha vazios, que depois eram decorados.

O sabor e a textura lisa e aveludada que conhecemos no chocolate de hoje só se tornou realidade a partir de 1828, com a invenção da prensa para separar a manteiga de cacau da pasta de cacau, inventada pelo holandês Coenraad van Houten.

Esta descoberta foi um marco histórico já que permitiu produzir um produto sólido em grande escala. Estavam lançadas a sementes para difundir o consumo de chocolate que, até então, era apenas consumido nas cortes, uma vez que era muito caro e não acessível a todos.

Em 1847, a empresa de chocolate J.S Fry & Sons, de Inglaterra, desenvolveu uma técnica que permitia misturar o pó de cacau, com açúcar e manteiga de cacau derretida, obtendo-se uma mistura que podia ser colocada em moldes e deixar resfriar até solidificar. Iniciava-se a revolução da indústria do chocolate, com o primeiro chocolate sólido com textura macia. Até então, as barras de chocolate eram duras, secas e difíceis de comer e por isso eram usadas em bebidas.

 

A Fry também viria a ser a responsável pela produção do primeiro ovo de chocolate em Inglaterra, em 1873. Os ovos eram decorados à mão para seguir o estilo vitoriano, que marcou o reinado da rainha Vitória, entre 1837 e 1901.

A descoberta da Fry e a produção do primeiro molde de chocolate, feito em lata pela Maison Létang et Rémy, em Paris, levam a crer que terão sido os franceses a produzir o primeiro ovo de chocolate.

Desde então o consumo de chocolate na Páscoa, sobretudo em forma de ovos e coelhos, generalizou-se de tal forma que até se perdeu no tempo o motivo da troca dos ovos de Páscoa.

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